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http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/40454| Título: | Aleijar a gestão como crítica à ideologia gerencialista: pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho |
| Título(s) alternativo(s): | Crippling management as a critique of managerialism: people with disabilities in the formal labor market |
| Autor(es): | Mello, Xênia Karoline |
| Orientador(es): | Tonon, Leonardo |
| Palavras-chave: | Pessoas com deficiência - Emprego Cultura organizacional - Aspectos sociais Diversidade no ambiente de trabalho Administração - Aspectos sociais Poder (Ciências sociais) Padrões de desempenho Discriminação contra as pessoas com deficiência Discriminação no emprego Handicapped - Employment Corporate culture - Social aspects Diversity in workplace Management - Social aspects Power (Social sciences) Performance standards Discrimination against people with disabilities Discrimination in employment |
| Data do documento: | 24-Fev-2026 |
| Editor: | Universidade Tecnológica Federal do Paraná |
| Câmpus: | Curitiba |
| Citação: | MELLO, Xênia Karoline. Aleijar a gestão como crítica à ideologia gerencialista: pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho. 2026. Dissertação (Mestrado em Administração) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2026. |
| Resumo: | Esta dissertação analisa como a capacidade corporal compulsória se articula à ideologia gerencialista, em especial à noção de desempenho, afetando as experiências de pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho. A pesquisa parte de uma lacuna nos Estudos Organizacionais, campo em que a deficiência ainda aparece de modo periférico, frequentemente vinculada à gestão da diversidade, à acessibilidade ou ao cumprimento normativo de políticas de inclusão, sem ser tomada como categoria analítica capaz de interrogar os próprios fundamentos da gestão. Fundamentada em uma perspectiva crítica, decolonial e situada, a pesquisa trabalha com a Teoria Crip, os estudos críticos sobre deficiência e a crítica ao gerencialismo para colocar em crise o ideal de trabalhador eficiente, autônomo e permanentemente disponível. Metodologicamente, adota uma abordagem qualitativa, baseada em histórias de vida de quatro trabalhadores com deficiência, analisadas a partir dos eixos capacidade corporal compulsória, ideologia gerencialista, desempenho e aleijamento. Os achados indicam que a capacidade corporal compulsória opera nas organizações como norma silenciosa que define quais corpos são reconhecidos como aptos ao trabalho, deslocando para as pessoas com deficiência a responsabilidade por provar competência, adaptar-se e sustentar sua permanência no trabalho. No eixo da ideologia gerencialista, as narrativas mostram que práticas de avaliação, progressão, controle, flexibilização e gestão da diversidade podem reproduzir desigualdades sob aparência de neutralidade, transformando barreiras institucionais em problemas individuais. No eixo do desempenho, a pesquisa mostra que a produtividade não aparece apenas como métrica, mas como exigência moral de reconhecimento, pertencimento e prova contínua de capacidade, frequentemente sustentada pela autovigilância e pela necessidade de demonstrar valor profissional. No eixo do aleijamento, as experiências narradas revelam recusas, denúncias, negociações, invenções cotidianas e produção de saberes situados sobre acessibilidade, trabalho e organização. As entrevistas também mostram que os participantes não apenas sofrem os efeitos da gestão, mas refletem criticamente sobre sua presença nas organizações, produzindo leituras próprias sobre reconhecimento, adaptação, exclusão, permanência e resistência. Outro achado importante é o cuidado como categoria analítica, princípio ético e responsabilidade coletiva, pois a permanência no trabalho depende de apoios, adaptações, interdependência e condições institucionais de participação, e não apenas de esforço individual. Como contribuição, a dissertação propõe “aleijar a gestão” como lente crítica para os Estudos Organizacionais, deslocando a deficiência do lugar periférico da inclusão para o centro da análise sobre corpo, trabalho, desempenho, cuidado e organização. |
| Abstract: | This master’s thesis analyzes how compulsory able-bodiedness is articulated with managerialist ideology, especially with the notion of performance, affecting the experiences of people with disabilities in the formal labor market. The research addresses a gap in Organizational Studies, a field in which disability still appears in a peripheral position, often linked to diversity management, accessibility, or the normative fulfillment of inclusion policies, without being taken as an analytical category capable of interrogating the very foundations of management. Grounded in a critical, decolonial, and situated perspective, the study draws on Crip Theory, critical disability studies, and the critique of managerialism to call into question the ideal of the efficient, autonomous, and permanently available worker. Methodologically, it adopts a qualitative approach based on the life histories of four workers with disabilities, analyzed through the axes of compulsory able-bodiedness, managerialist ideology, performance, and cripping. The findings indicate that compulsory able-bodiedness operates in organizations as a silent norm that defines which bodies are recognized as fit for work, shifting onto people with disabilities the responsibility for proving competence, adapting themselves, and sustaining their permanence at work. In the axis of managerialist ideology, the narratives show that practices of evaluation, career progression, control, flexibility arrangements, and diversity management may reproduce inequalities under an appearance of neutrality, transforming institutional barriers into individual problems. In the axis of performance, the research shows that productivity does not appear only as a metric, but as a moral demand for recognition, belonging, and the continuous proof of capacity, often sustained by self-surveillance and by the need to demonstrate professional value. In the axis of cripping, the narrated experiences reveal refusals, acts of denunciation, negotiations, everyday inventions, and the production of situated knowledge about accessibility, work, and organization. The interviews also show that participants do not merely suffer the effects of management, but critically reflect on their presence in organizations, producing their own readings of recognition, accommodation, exclusion, permanence, and resistance. Another important finding is care as an analytical category, ethical principle, and collective responsibility, since permanence at work depends on support, accommodations, interdependence, and institutional conditions for participation, and not only on individual effort. As a contribution, this master’s thesis proposes “cripping management” as a critical lens for Organizational Studies, shifting disability from a peripheral place in inclusion debates to the center of the analysis of body, work, performance, care, and organization. |
| URI: | http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/40454 |
| Aparece nas coleções: | CT - Programa de Pós-Graduação em Administração |
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